Notícia

 

07

Dez

2008

 

Questões 1, 2, 3 e 4 de História - Comentários das questões 1, 2, 3 e 4 de História

01. As concepções de História influenciam a formação de pesquisadores e suas metodologias. Com o surgimento da Escola dos Annales, novas perspectivas teóricas se estabeleceram. Entre as inovações trazidas por essa Escola, destacam-se:

0-0) a consolidação de uma metodologia baseada em fontes oficiais e escritas, voltadas para a política e a economia.
1-1) a valorização da comunicação com outros saberes, trazendo novas discussões para as questões de pesquisa.
2-2) a prevalência de uma concepção subjetiva do conhecimento, sem lugar para o estudo do social e do econômico.
3-3) a aceitação da multiplicidade de fontes, aumentando o campo de pesquisa dos historiadores e suas problematizações.
4-4) a volta dos princípios da Escola Metódica, tão comuns no início do século XIX, com sua defesa da objetividade.

Comentário:

A chamada Escola dos Annales constitui-se num movimento historiográfico. Recebe essa designação por ter surgido a partir da publicação do periódico acadêmico francês Revue des Annales, tendo destacado-se por incorporar métodos das Ciências Sociais à História. Em geral, divide-se a trajetória da escola em quatro fases: primeira geração – liderada por Marc Bloch e Lucien Febvre; segunda geração – dirigida por Fernand Braudel; terceira geração – vários pesquisadores tornaram-se diretores; e quarta geração – a partir de 1989. Os fundadores do periódico (em 1929) e do movimento foram os historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre, então docentes na Universidade de Estrasburgo. Rapidamente, foram associados com a abordagem inovadora dos "Annales", que combinava a Geografia, a História e as abordagens sociológicas da Anee Sociologique (muitos dos colaboradores eram conhecidos em Estrasburgo) para produzir uma análise que rejeitava a ênfase predominante em política, diplomacia e guerras de muitos historiadores do século XIX. Ao invés disso, foram pioneiros na abordagem de um estudo de estruturas históricas de longa duração nos eventos ("la longue durée"). Geografia, cultura material e o que, posteriormente, os Annalistas chamaram de mentalidades ou a psicologia da época eram áreas características de estudo. Um eminente membro dessa escola, Georges Duby, escreveu no prefácio de seu livro, "O domingo de Bouvines", que a história ensinada por ele, "rejeitada na fronteira do sensacionalismo, era relutante à simples enumeração dos eventos, esforçando-se, ao contrário, por expôr e resolver problemas e, negligenciando as trepidações da superfície, procurou observar ao longo e médio prazos a evolução da economia, sociedade e civilização." Bloch foi morto pela Gestapo, durante a ocupação alemã na França, na Segunda Guerra Mundial, e Febvre seguiu com a abordagem dos "Annales" nas décadas de 1940 e 1950. Nesse período, orientou Fernand Braudel, que se tornou um dos mais conhecidos expoentes dessa escola. A obra de Braudel definiu uma "segunda" geração na historiografia dos "Annales" e foi muito influente durante as décadas de 1960 e 1970, especialmente por seus estudos no Mediterrâneo durante a era de Filipe II da Espanha. Enquanto autores como Emmanuel Le Roy Ladurie e Jacques Le Goff continuam a carregar a bandeira dos "Annales", hoje a sua abordagem tornou-se menos distintiva enquanto mais e mais historiadores trabalham a história cultural e a história econômica. A terceira geração de Annales é conduzida por Michel Foucault e Jacques Le Goff; é mais conhecida como a "Nova História", na qual toda a atividade humana é considerada história.

Gabarito: FVFVF

02. Na Grécia, durante a chamada Antiguidade Clássica, houve a formação de culturas diferentes que defendiam sociedades com práticas políticas, muitas vezes, em confronto. A cidade de Esparta, uma das mais importantes, tinha:

0-0) uma legislação social flexível, preocupada com a ética e a justiça social.
1-1) uma estrutura social hierarquizada onde dominavam práticas militaristas.
2-2) uma sociedade sem escravos, apesar da presença de rigidez social.
3-3) uma aliança política com Atenas, em defesa da monarquia eletiva.
4-4) um conselho de anciãos, defensores da democracia entre os periecos.

Comentário:

A questão solicita do aluno o conhecimento da sociedade espartana, bem como a sua diferenciação da sociedade ateniense no que diz respeito à política e à estrutura social.
0-0) A legislação era baseada no Código de Licurgo, existia um controle muito forte exercido pelos espartanos. Vale salientar que o uso do Código de Licurgo cabia apenas aos cidadãos.

1-1) A sociedade era militarista e a estrutura facilitava o domínio espartano sobre periecos e hilotas. Apenas o espartano era considerado cidadão.

2-2) Os hilotas eram “escravos” de guerra e tornavam-se subordinados ao Estado espartano.

3-3) Atenas e Esparta tinham concepções políticas distintas, apesar da luta contra os persas durante as Guerras Médicas, em que existiria uma “união” entre as cidades. Essas também não tiveram monarquias eletivas.

4-4) Os conselheiros ou anciões existiam para fiscalizar os reis. Eles eram espartanos com mais de 60 anos, vindos da aristocracia de Esparta.

Gabarito: FVFFF

03. As constantes guerras não impediram feitos culturais importantes na construção histórica de Roma. Não podemos negar seu significado para a produção literária ocidental. O poema de Virgílio, Eneida:

0-0) exaltou as guerras existentes no mundo antigo, ocidental e oriental, com destaque para a bravura militar de Júlio César.
1-1) criticou o despotismo dos imperadores romanos, defendendo as instituições democráticas e populares.
2-2) consagrou os atos heróicos dos romanos, lembrando os poemas homéricos de grande importância histórica.
3-3) descreveu os amores do autor e sua admiração por uma sociedade livre da opressão das monarquias vitalícias.
4-4) enalteceu a história de Roma e da Grécia, desde os tempos primordiais, com suas fortes instituições republicanas.

Comentário:

Virgílio é considerado o maior poeta latino. Era natural da região de Mântua (70-19 a.C.) e filho de uma família de camponeses. Alcançou por meio do casamento uma situação estável, podendo então ouvir, em Milão e Roma, as lições de filósofos epicuristas. Amigo de Horácio, que, assim como esse, era protegido por Mecenas. Entrou em contato com o imperador, de quem recebeu o incentivo para escrever a Eneida. Admirador da cultura helênica, o poeta empreendeu uma viagem à Grécia, berço e viveiro da cultura, sonho que há muito acalentava: o destino concedeu-lhe a realização desse anseio, mas morreu no regresso, junto de Brindisi. O seu túmulo encontra-se em Nápoles. A obra de Virgílio compreende, além de poemas menores, compostos na juventude, as Bucólicas ou Éclogas, em número de dez, em que reflete a influência do gênero pastoril criado por Teócrito. As Geórgicas, dedicadas ao seu protetor Mecenas, constam de quatro livros, tratando da agricultura. Trata-se de uma obra de implicações políticas indiretas, embora bem definidas: ao fazer a apologia à vida do campo, o poeta serve ao ideal político-social da dignificação da classe rural. Reflete a influência de Hesíodo e Lucrécio. Literariamente, as Geórgicas são consideradas a sua obra mais perfeita. A Eneida, que o poeta considerou inacabada, a ponto de pedir, no leito de morte, que fosse queimada, constitui a epopéia nacional. A obra refere-se à lenda do guerreiro Enéias, que, após a célebre guerra, teria fugido de Tróia , saqueada e incendiada, e chegado à Itália, onde se tornou o antepassado do povo romano. Epopéia erudita, a Eneida tem como objetivo dar aos romanos uma ascendência não-grega, formulando a cultura latina como original, e não tributária da cultura helênica.

Gabarito: FFVFF

04. A renovação do conhecimento que construímos sobre o mundo e a vida muito depende de nossa capacidade de interpretar. O Renascimento foi significativo para mudanças nas formas de sentir e pensar a sociedade em que vivemos e o mundo que nos acolhe. Um dos seus pensadores mais famosos, Copérnico, ganhou destaque ao:

0-0) duvidar do sistema de interpretação religiosa do mundo, sendo punido pelos padres da Igreja Católica.
1-1) conceber uma forma diferente de funcionamento do sistema solar, contrariando as idéias de Ptolomeu.
2-2) consolidar as visões aristotélicas do universo, das quais foi um atualizador destacado.
3-3) trazer novos princípios para o campo da biologia, negando a existência da alma e do paraíso de Adão e Eva.
4-4) adotar teorias vindas das teses idealistas de santo Agostinho, reiterando a consagração do pecado original.

Comentário:

Copérnico, morto em 1543, foi um dos grandes revolucionários da história da ciência. A teoria heliocêntrica, defendida por ele, influenciou uma mudança radical e completa, não só na concepção do cosmo que se tinha até então, como na própria maneira de ver o homem. Durante longos 36 anos, o cônego Nicolau Copérnico manteve-se irredutível. Não queria de modo algum publicar seu tratado sobre uma nova teoria cósmica. Se bem que algo já vazara, chegando até aos ouvidos de um Lutero indignado, o número dos que tomaram conhecimento do real significado das suas teses reduzia-se a uma dúzia. O cientista, ao dedicar-se minuciosamente ao Almagesto do astrônomo Ptolomeu, e a outros especuladores celestiais, gregos e árabes, concluíra que não era a Terra o centro do universo. Era o Sol. Preso à sua torre de observação em Frauenburg, hoje Turon, um lugarejo às margens do Báltico, na antiga Prússia Oriental, com um “triquetrum” e um “baculus”, instrumentos primitivos que mandara fazer, todos sem lentes, aquele sacerdote ─ tímido, cinzento, de vida insípida, solitária e avarenta, convertido em filósofo do céu ─ fez desmoronar uma arquitetura astronômica que perdurava há uns 17 séculos. Apesar de afrontar, como disse Barbara Bienkowska, a Bíblia, o aristotelismo e o senso comum, não foi a vara do bispo ou a do inquisidor que Copérnico temia. A relutância dele em divulgar os seus achados por escrito devia-se a outras causas. Ele receava os militantes da ignorância, sempre prontos a incinerar cientistas ou vegetais. Inspirando-se nos rituais de segredo de Pitágoras e seus seguidores, aferrou-se a idéia de que a ciência só devia circular entre os iniciados e os amigos. Ela, a ciência, era a água pura que, se derramada no chão onde imperavam os brutos, virava lama.

Gabarito: FVFFF

 

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