Começa nesta sexta-feira, 29, a primeira etapa de inscrição no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) para as vagas oferecidas por universidades federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia que adotaram a nota do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) como fase única do processo seletivo.
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Nota Oficial – Gabaritos Enem 2009
O Inep verificou inconsistência nos gabaritos dos diferentes modelos de prova aplicada neste final de semana. Em função disso, todo o material será revisto. Os gabaritos oficiais serão publicados amanhã, segunda-feira, a partir das 10h.
CONFIRA A RESOLUÇÃO DAS PROVAS DO ENEM NO MOTIVO FAZ

No segundo dia de provas, o exame de Matemática e suas tecnologias apresentou questões de aprofundamento e nível variados: 40% da prova considerada fácil, 40% de nível mediano, com ênfase em cálculos com números decimais, e 20% de conhecimentos mais específicos da matéria. A aritmética predomina na distribuição dos conteúdos, provavelmente em detrimento do espaço que seria reservado para a abordagem da Geometria Analítica.
A banca propõe que o aluno relacione seus conhecimentos matemáticos a diversos conceitos interdisciplinares, como: física, geografia, música, história da arte, química, biologia, economia, estatística. Além disso, discussões atuais (Biodiesel, relações econômicas entre Brasil e França) e mazelas sociais quase cristalizadas, como a deficiência do Saneamento Básico no país, enriquecem o potencial reflexivo do exame.
Uma poderosa aliada da proposta de contextualização do ENEM foi a análise de gráficos e tabelas, bastante explorada (11 questões), uma vez que facilitou a inserção de conceitos extra-matemáticos nas questões, como indicadores sociais, experimentos, químicos, estatísticas.
É fácil perceber o cuidado da banca em apresentar questões originais, muito bem contextualizadas, que valorizam o raciocínio lógico e crítico. Merece destaque a questão 179 (prova azul), que utiliza conhecimentos de geometria plana, transformação de medidas de capacidade, regras de três e porcentagem, além de interpretação de textos para abordar um tópico atual e obrigatório para o cidadão exemplar: o uso consciente da água. Apesar de tais méritos, é pouco provável que os responsáveis pela elaboração do exame tenham considerado a posição do aluno diante da prova. O tempo disponibilizado para a resolução do exame não é compatível com sua complexidade e tamanho. Mesmo o aluno bem preparado, não conseguiu responder a todas as questões, já que o tempo calculado, de 3 minutos por questão, é utópico.
Imprescindível é alertar toda a comunidade envolvida com a educação (entre pais, alunos, professores) sobre a relevância da leitura e dos conhecimentos gerais para a resolução da prova. Para uma geração acostumada a segmentar o conhecimento, copiar e colar sem refletir, as sutilezas das inferências necessárias representam enorme obstáculo. O aluno que lê pouco (e talvez até o mais habituado à leitura, fica a observação para a banca), sem dúvida esbarrará na exaustão pela quantidade de textos e na inabilidade de relacionar diferentes esferas de conhecimento.
Tema: O individuo frente à ética nacional
A proposta elaborada pela Banca do Enem, além de bastante propícia, no que diz respeito a um assunto vigente no pais; integra o produtor do texto ao âmbito dos que não realizam apenas uma prova de redação; mas, sobretudo, podem, por meio de uma reflexão importante, como a ética, ver-se como jovens que irão ingressar numa universidade e serão elementos constitutivos de mudanças para o pais.
A charge de Millôr Fernandes atesta para a tese principal de que a honestidade no Brasil tornou-se uma virtude, quando, na verdade, deveria ser uma característica inerente de todo individuo. Nessa perspectiva, inferimos que o pressuposto-orientador da proposta é: a ética nacional encontra-se em derrocada. Assim, o produtor do texto poderia canalizar seus argumentos para um contexto em que os processos políticos que se desenham (tanto em períodos ditatoriais como em “pseudo-democráticos” momentos da nossa historia) vêm impregnando, como principal argumento, uma cultura marcada pelo sistema corrupto do qual, haja vista casos reincidentes, muitos acreditam não sair mais.
Em decorrência desse pensamento alienado, a sociedade brasileira vem se comportanto de modo arbitrário, em vários sentidos. A inércia do povo brasileiro impõe um sentimento que não dá vazão ao ufanismo, e essa ausência revela, em certa parte, toda a escassez de autoestima, cujas “centelhas” só podem ser vistas (se é possível), nos campos de futebol ou quando artistas içam a bandeira de nossa cultura no exterior. A estagnação dos brasileiros desconfigura-os como povo, como nação, na medida em que anula, pela ideia de inércia, o poder do homem como agente transformacional de seu meio: “o herói não é o outro, nem sou eu”. Essa entidade se esvai para apenas ocupar espaços do imaginário popular. Daí, para a aceitação de si mesmo como elemento que se padroniza, que se iguala aos modelos de perversão enraizados, é um salto.
O senso comum, nesse caso, absorve aquilo que era apenas perceptível no mundo externo, tornando o âmbito da ausência de ética o espaço interior de cada sujeito. A conformidade de que o mundo é perverso, unilateralmente, transfigura o mero espectador; fazendo com que ele se constitua numa “insígnia” dos modelos e das estruturas antiéticas”.
Dessa forma, o ciclo vicioso se revela, uma vez que, verborragicamente, somos capazes de dizer: “eles são todos corruptos”, quando, na verdade, esse senso comum nos vale agora como único motivo de avaliação positiva e contribui, unicamente, para o “alívio” de nossa consciência, privada do estado de corrupção. E não nos enxergamos como agentes desse mal, logo não o combatemos, porque, inclusive, sabemos pontuá-lo ao nosso favor ao afirmar, “carinhosamente” que ele tem outro nome: “o jeitinho brasileiro”.
Para erradicar o sistema antiético que compromete nossa
integridade e nosso futuro como nação, devemos entender, por meio de uma reflexão sólida e um sistema educacional combatente, que essa patologia está impregnada no nosso molde de vida; para, assim, poder combatê-la. Caso contrario, estaremos imobilizados frente ao conformismo, promovendo a ideia do “faz-de-conta que eu sou íntegro; corruptos são os outros”, quando, na realidade, fazemos todos parte de uma nação antiética.
A prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias apresentou nível mediano de dificuldade, com grande quantidade de textos e diversidade de gêneros (tirinhas, poemas, texto de opinião, anúncio publicitário, texto informativo, foto, cartum, etc). Pode-se considerar, em comparação com a prova que seria realizada no dia 04 de outubro, como mais elaborada e que demanda do aluno mais atenção e cuidado.
A banca mostrou-se preocupada em explorar as diversas manifestações e códigos da linguagem: dança, artes plásticas, música, além das tradicionalmente utilizadas em exames do gênero. A intertextualidade apresenta-se como ponto marcante, pois as questões estabelecem relações com biologia – saúde, história, sociologia.
O programa apresentado ao aluno foi explorado com equilíbrio, sem surpresas, incluindo os textos digitais, cuja importância foi há pouco reconhecida pelos livros didáticos. Algumas questões demandam conhecimentos teóricos de redação – o uso de argumentos, a habilidade de reconhecer e considerar argumentos e opiniões opostos referentes ao mesmo tema. É interessante perceber, também, que não só a interpretação dos textos, como as características dos gêneros textuais são relevantes para a resolução da prova.
O exame privilegia o aluno que tem boa leitura de mundo e perspectiva crítica, além da capacidade de estabelecer análise aprofundada dos textos e temáticas. Assim, a prova abrange as vertentes propostas e avalia todas as competências de leitura do candidato.
Apesar de todo o potencial reflexivo do exame e dos méritos pela proposta de interdisciplinaridade, é imprescindível que se exponha: a quantidade de textos, que nem sempre precisavam ser lidos para a resolução das questões, compromete as condições de leitura e interpretação do aluno.
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Saiu o gabarito original da prova do ENEM do segundo dia.
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Matemática e suas tecnologias
No segundo dia de provas, o exame de Matemática e suas tecnologias apresentou questões de aprofundamento e nível variados: 40% da prova considerada fácil, 40% de nível mediano, com ênfase em cálculos com números decimais, e 20% de conhecimentos mais específicos da matéria. A aritmética predomina na distribuição dos conteúdos, provavelmente em detrimento do espaço que seria reservado para a abordagem da Geometria Analítica.
A banca propõe que o aluno relacione seus conhecimentos matemáticos a diversos conceitos interdisciplinares, como: física, geografia, música, história da arte, química, biologia, economia, estatística. Além disso, discussões atuais (Biodiesel, relações econômicas entre Brasil e França) e mazelas sociais quase cristalizadas, como a deficiência do Saneamento Básico no país, enriquecem o potencial reflexivo do exame.
Uma poderosa aliada da proposta de contextualização do ENEM foi a análise de gráficos e tabelas, bastante explorada (11 questões), uma vez que facilitou a inserção de conceitos extra-matemáticos nas questões, como indicadores sociais, experimentos, químicos, estatísticas.
É fácil perceber o cuidado da banca em apresentar questões originais, muito bem contextualizadas, que valorizam o raciocínio lógico e crítico. Merece destaque a questão 179 (prova azul), que utiliza conhecimentos de geometria plana, transformação de medidas de capacidade, regras de três e porcentagem, além de interpretação de textos para abordar um tópico atual e obrigatório para o cidadão exemplar: o uso consciente da água. Apesar de tais méritos, é pouco provável que os responsáveis pela elaboração do exame tenham considerado a posição do aluno diante da prova. O tempo disponibilizado para a resolução do exame não é compatível com sua complexidade e tamanho. Mesmo o aluno bem preparado, não conseguiu responder a todas as questões, já que o tempo calculado, de 3 minutos por questão, é utópico.
Imprescindível é alertar toda a comunidade envolvida com a educação (entre pais, alunos, professores) sobre a relevância da leitura e dos conhecimentos gerais para a resolução da prova. Para uma geração acostumada a segmentar o conhecimento, copiar e colar sem refletir, as sutilezas das inferências necessárias representam enorme obstáculo. O aluno que lê pouco (e talvez até o mais habituado à leitura, fica a observação para a banca), sem dúvida esbarrará na exaustão pela quantidade de textos e na inabilidade de relacionar diferentes esferas de conhecimento.








